“L”
Marcos Bezerra, do Novo Jornal
Tinha decidido usar este espaço para escrever sobre a insônia que tem me perseguido nos últimos dias. Já ia, inclusive, lá pela metade nessas linhas retas de ideias tortas. O título seria “Altas Horas”; nada de muito original, mas bacana para combinar com minha rotina de pouco sono e muitas horas à frente da telinha. Aí me aparece um outro assunto igualmente de tirar o sono, não só o meu, mas de todos os que habitam ou gravitam em torno desta bela cidade chamada Natal... Altas Loras.
Para quem não é tão antigo quanto eu, lora é um diminutivo para lorota e os de antanho usam, normalmente, para dizer isso é lora, ou fulano está de lora. Mas, tem uma gíria mais nova e ainda mais diminuta que vai traduzir tudo o que já escrevi: a letrinha do título acima.
Aprendi com os estagiários da pauta lá na Inter TV Cabugi. De vez em quando eles tentavam me dar um “L” em alguma coisa. Ou diziam que eu tinha dado um nas pessoas que ligavam pedindo para fazer uma matéria que não rendia. Era um não com cara de sim. Um “L”, como o que a Prefeitura de Natal parece tentar emplacar.
Catei no Google Earth a localização da rua onde se daria o ponta-pé inicial das obras de mobilidade desta cidade para a Copa do Mundo de 2014 - Rua São Geraldo, nas Quintas, nas proximidades da Rua dos Pegas. Tentei descobrir, na foto aérea, qual a relação de acessibilidade do aeroporto de São Gonçalo com o dito cruzamento. Em vão. A não ser que a intenção do visitante seja se perder nas ruas estreitas do bairro, não há como ele chegar lá. Mesmo assim foi na São Geraldo que começaram as obras de mobilidade da Copa. Ela e outras 27 ruas do bairro vão ser recapeadas. Você não leu nem eu escrevi errado. Em Natal, as obras que vão facilitar o acesso dos turistas à Arena das Dunas começaram com o recapeamento de ruas das Quintas. Assim, quando as obras no complexo da Urbana começarem, os motoristas vão ter vias alternativas para trafegar... Justificativa ou “L” em todos nós?
Falta saber se combinaram com os Russos, os integrantes do Comitê Local da Copa e os indefectíveis homens da Fifa. Ia ser bacana a missão, que deve vir ao Brasil mês que vem, baixar nas ruas do bairro popular para checar o andamento das obras. À frente Jérôme Valcke, aquele capaz de botar defeito até na receita de ginga com tapioca. Atrás, nossas autoridades, cheias de rapapés. São Geraldo, Pêgas, Coemaçu, Ipanema, Rio Potengi, Um Mil e Dezenove... Rua acima, rua abaixo, todos perdidos.
Menos mal que a ia dar para tomar uma cerveja gelada. No Bar do Picado, Calçadas Bar, Labrase, Bar do Dodoca e/ou no Xibatão Mui La Xibata. Ia ser difícil encontrar uma Budweiser, mas aí a gente dá outro “L” nos gringos.
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Artigo
Um beijo no sonho
Marcos Bezerra, do Novo Jornal
Preencher este espaço com minhas ideias tortas, de hoje e de antanho, do meu sertão que não sai de dentro de mim e da nesguinha de Mata Atlântica que se avizinha da minha janela, tem me dado uma alegria besta. Quem escreve quer leitores e vez ou outra aparece alguém para me perguntar disso ou daquilo que leu em algum artigo meu. Jorli, um cão sarnento batizado por mim lá em Janduís, por exemplo, virou meu cachorro e mais de um amigo me perguntou se ainda está vivo. Outro dia o professor Cassiano Arruda Câmara me questionou sobre a defesa que fiz dos invasores do Pinheirinho, em São José dos Campos. Não concorda comigo, mas, igual Voltaire, defende meu direito de externar o pensamento. Ainda teve dona Salete, que ligou para mim para agradecer o artigo que fiz sobre ela e a filha, Kyberli Samara – descobri o segundo nome.
Até exportada minha verve está sendo; para o blog de Zenóbio Oliveira, filho de agricultor como eu, poeta das imagens televisivas e da cultura nordestina e antigo companheiro de trabalho lá em Mossoró. Diz ele que meu trabalho está bom demais. E eu vou engolindo corda. Dele e de todos. Criando coragem para concluir um livro que já anda na metade e iniciar outro, com roteiro praticamente pronto, embora vagando neste cérebro de grandes proporções.
Para o primeiro - O Ataque de Mossoró ao Bando de Lampião - não, que é de interesse local, mas o segundo - O Alto do Louvor - me faz sonhar um sonho que, descobri, é também de outros candidatos a escritor: todos nós queremos, um dia, ser entrevistados do maior talk show do país. Já ouvi coisas como: “com esse livro vou para o Jô Soares” e “queria uma coisa grande, que rendesse até uma entrevista no Jô”. Aí, cato memórias recentes e reconheço que já ensaiei respostas para o apresentador da Globo. Será que a produção dele vai ligar para meus familiares e amigos para saber de alguma presepada? Até a roupa que usarei nesse dia glorioso entra na lista dos pensamentos. São castelos construídos, tal e qual quem faz as contas de como gastar uma Mega Sena acumulada. E, senhor editor de Cultura, não pense que o sonho deixa de incluir uma boa página deste NOVO JORNAL. Entrevista no Cores & Nomes também, senhora Margot Ferreira!
Devo estar ficando doido... Viajando ainda mais, chego à conclusão que quem tem uma ideia de livro na cabeça, guarda material escrito ou mesmo já tem a boneca pronta e não publica, tem um trunfo na vida: o de que o livro pode ser um sucesso. E dessa esperança vai se alimentando. Ela dura até o dia que o autor quiser. Até o dia em que o esboço vai para o prelo.
Livro é a mercadoria que mais quebra. Costumo dizer com a experiência de meu “Toalha de Mesa - casos do meu mundinho”. Tiragem de 300 volumes, poucos vendidos, muitos doados e ainda uma boa quantidade guardada. Mas, fazer o que, se há muito fui picado pela tal mosca azul da literatura.
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