Mostrando postagens com marcador Poesia/cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia/cultura. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de março de 2012

Todo dia é dia de poesia

Ser poeta
Sá de Freitas

Ser poeta é ser livre como o vento,
É Sentir-se um irmão da Natureza;
É Captar - da vida - o encantamento;
É Expulsar - de si - toda a tristeza.

Ser poeta é sonhar intensamente,
Sem deixar de viver a realidade;
É Descrever, em versos, livremente,
A paz do amor e a dor de uma saudade.

Mentalmente é viajar pelo Universo,
E tentar relatar, num simples verso,
Tudo o que sente e tudo o que vai vendo.

Ser poeta é sorrir, mesmo chorando;
É, às vezes, chorar, mesmo cantando;
É Sentir-se feliz, mesmo sofrendo.
Ser Poeta
Florbela Espanca


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cantiga

Debaixo do tamarindo.
Zenóbio Oliveira

A flor do tamarindo lá do meu terreiro,
Tem um cheiro de amor que nunca finda,
A flor do tamarindo lá do meu terreiro,
Tem um cheiro de amor, morena linda.

Escrevi no teu destino,
A história da minha vida,
Os meus sonhos de menino,
Minha paixão incontida,
Meu pranto, minha alegria,
Minha esperança menina,
Só pra ver você um dia,
Debaixo do pé de tamarina.

Quando o galo saudou a madrugada,
Coloquei os molambos na sacola,
Misturei-me a poeira da estrada,
Com a cara, a coragem e a viola.
E no trajeto de minha romaria,
A saudade no meu peito não termina,
Quero encontrá-la qualquer dia,
Debaixo do pé de tamarina.

Vejo a pétala da flor que se espedaça,
Na bruteza da bala do canhão,
Eu sou o fio tênue de uma raça,
Humilhada e maltratada no sertão,
Que tira leite de pedra todo dia,
Nessa luta de leão que só termina,
Quando é noitinha nos braços de Maria,
Debaixo do pé de tamarina.

domingo, 7 de agosto de 2011

Poesia

Segredo. 
Por Zenóbio Oliveira

De quem eu gosto não digo,
Não quero correr perigo,
De revelar meu segredo.
Trago este amor desmedido,
Secretamente escondido,
Nos porões deste meu medo.

É um amor impossível,
Que eu mantenho invisível,
Aos olhos torpes do alheio,
Por este e outros entraves,
É que o fecho a sete chaves,
Nos cárceres do meu receio.


E tenho muito cuidado,
Pra que não seja notado,
Por ela, nem por ninguém,
Oculto enquanto puder,
O nome dessa mulher,
A quem quero tanto bem.

Um dia, talvez, quem sabe,
Esse amor que já não cabe,
Nessa minha timidez,
Transborde, irrompa, se rasgue,
E então me desengasgue,
Dessa profunda mudez

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Rimando

De camisa volta ao mundo bem decente
E calça de tergal boca de sino
Com meu sapato pisante bico fino
E no braço um relógio oriente
Brilantina no cabelo, passo o pente,
Tiro lá do colchão trinta corró
Na bodega de Zé de Antoin Cotó
Compro cheiro de mistral, tomo uma pinga,
Monto no jegue e desabo na caatinga
A procura do diabo dum forró.