quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mídia

Dez estratégias de manipulação midiática
Reproduzido do Blog do Rodrigo Vianna
http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/noam-chomsky-10-estrategias-de-manipulacao-midiatica-2.html
O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.
6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Folclo-rindo



Carnaval.

               Foi em 2005. Fazíamos a cobertura jornalística para a TV Cabugi de um evento denominado de “Carnaval da Terceira Idade”. Embalados pelas marchinhas e frevos, senhores e senhoras recordavam aqueles tempos áureos, tempos em que a festa momesca não tinha o estigma maculador do Bonde do Tigrão, nem o galope devastador da Eguinha Pocotó.
Começamos as entrevistas e a primeira foi com uma senhora vestida de colombina, que já trazia no rosto as perversas marcas dos setenta.
E a pergunta foi:
____A senhora tem alguma boa lembrança do carnaval?
E a resposta:
____Ah meu filho! bom não é aqui! Bom vai ser lá na casa de comadre Bina, nós vamos todo mundo pra lá quando acabar aqui viu?

Vaquejada.

              Foi em Apodi. Um sujeito havia adentrado a festa sem que fosse pelo método convencional, aquele em que você dá um papelzinho e o carinha da portaria deixa você passar. Como ele conseguiu entrar eu não sei, o certo é que ele estava clandestino no ambiente. Foi descoberto pelos seguranças, detido e levado à presença do dono do parque, S. Milton, cabra de poucas palavras e muita ação. Esse homem agarrou o penetra pelo colarinho e fez rebolo dele pra fora. O camarada caiu nos pés do povo que fazia fila pra entrar e pra disfarçar a vergonha, bateu a poeira e disse:
____Esse seu Milton tem umas brincadeiras chocas!!!

Paixão de Cristo.

              Foi em Areia Branca. Era uma apresentação teatral da morte de Jesus e os atores eram homens da cidade: pescadores, estivadores, práticos, trabalhadores de salinas e mulheres do lar. O indivíduo que interpretava o papel de Barrabás, uma figura que mais parecia ter saído de um filme de duendes e feiticeiras, mais feio que pancada na canela, já estava meio grogue, pra lá de GABIDÁ, como dizia meu amigo Guiné, em profundo estado de torpor, ou seja, ligeiramente embriagadíssimo.
             O repórter Fabiano Morais perguntou a Barrabás:
___O que representa pra você interpretar o papel de um criminoso que foi libertado em detrimento da condenação e morte de Jesus Cristo?
Ele respondeu:
___É massa!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Crônica

                                                          


            NÃO BASTA SER ELEITOR, TEM QUE SABER NADAR!


Certa noite eu armei uma rede num canto de sala, fui até a cozinha, peguei um graúdo taco de rapadura, botei água num copo de alumino sem alça e bastante avariado (coisa de estimação), e deixei debaixo da rede, bem pertinho de mim. Peguei o controle remoto, apontei para a televisão, apertei o dedo, e o programa eleitoral “gratuito” estava lá. Não tive escolha, tive que assistir a propaganda dos candidatos. Alguns atrapalhados, de olhos arregalados, dizendo: ”Vou trabalhar pela educação, saúde, segurança, e emprego! Eu sou um “canidato” ficha limpa! O meu “númuro” é ““.
Na propaganda dos presidenciáveis, um lado dizia que tinha feito muito e ia continuar fazendo. O outro lado dizia que tinha pouca coisa feita, e que iria fazer muito mais. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi um “efeito especial”, onde uma bolinha de papel jogada na cabeça de um candidato teve o mesmo impacto que uma ‘banda’ de tijolo!
            Como faz falta a velha cédula de papel! Ali agente escrevia um bocado de desaforo, endereçava a esses candidatos, e tava feito o desabafo! O fato é que naquela noite assisti ao programa até o final, desarmei a rede, e guardei o velho copo de estimação. Passada a campanha, já sabendo quem ganhou e quem perdeu, fui ‘bulir’ na internet e fiquei indignado com o que vi: Uma estudante de São Paulo, incitando a morte aos nordestinos por afogamento! Segundo ela, isso ia fazer um bem danado a São Paulo! Esse desatino me fez pensar: “Se São Paulo ficasse a mais ou menos umas dez léguas daqui, eu ia num carro da linha de manhã, voltava de tarde, só pra ter uma “conversinha” com essa estudante” (para minha segurança, na mala eu levaria um colete salva-vidas). Mas como São Paulo fica a muitas léguas daqui, resolvi mandar e-mail que dizia o seguinte: “Oxente, menina! Você ta com o cão nos couros, é? Você sempre foi tiririca com os nordestinos, ou só fica assim quando o seu candidato perde? Nas redes sociais na internet, muita gente fala mal dos nordestinos, mas fica no anonimato! E você foi mostrar as venta por quê? Ta correndo um boato, que você vai ser chamada aos “carretéis”. Fique sabendo, minha jovem, que neste país, só quem manifesta preconceito contra os nordestinos e nunca é chamado aos “carretéis”, são os roteiristas de telenovelas, programas de humor, cinema, e publicidade!”.
“Mensagem enviada com sucesso”. Até agora estou aguardando uma resposta da moça... Pelo jeito o e-mail foi deletado. Digo, afogado! É, morreu na podridão do rio Tietê.



                                                                                                                                   FABIANO REGIS

Folclo-rindo

Por Fabiano Régis


Domingo era dia de feira em Campo Grande. Quando eu não estava escutando os cantadores de viola, estava em frente ao armazém de “seu Gregório”, olhando o vai e vem dos cabeceiros e os seus fardos geniais. O cabeceiro “João Curicaca” era conhecido por não levar desaforo pra casa. Certa vez, sua filha Terezinha flagrou “Curicaca” comendo um pão em frente ao armazém de “seu Gregório” e falou: Papai o senhor me mata de vergonha! O que foi que eu fiz minha “fia”? O senhor, comendo pão no meio da rua! Terezinha minha “fia”, será que eu vou ter que alugar uma casa, só pra comer um Pão?

domingo, 21 de novembro de 2010

Festa




Dia 27 de de novembro, essa menina aí da "chapa" vai reunir os amigos na praça da Convivência, no arco final, pra comemorar 10 anos de amor e aprendizado, como diz ela, na Comunicação.
O que é que ela vai comemorar? bom segue abaixo tudo esmiuçado, tim tim por tim tim.

Crônica

O especialista.

Era um grupo de oito lenhadores. Na verdade agricultores, desenvolvendo uma atividade provisória na entressafra do feijão. Aliás, o homem do campo é obrigado a se desdobrar numa série de tarefas complementares para garantir a papa dos meninos. Eles tinham ajustado com o dono da fazenda Marcolino, Seu Lino Pio, para fazer a broca do mato na propriedade. Estava no tempo do preparo das terras para o plantio, visto que o céu daquele janeiro de 1987 já se mostrava com cara de inverno. Em troca do serviço, poderiam vender a lenha para as caieiras da região.
A fazenda Marcolino ficava metida nos cafundós-do-judas, embrenhada no meio das juremas. Havia somente a casa grande, na qual vivia o proprietário com a esposa e dois empregados.
Os trabalhadores foram arranchados à sombra de uma enorme quixabeira bem longe do casarão. O trajeto dava umas três léguas bem medidas.
Na segunda semana de estância, o pessoal foi surpreendido pela visita de um dos criados da fazenda. Chegou a cavalo. Mostrava-se apressado. Nem apeou. Veio preveni-los da presença de uma onça que estava matando e comendo o gado ali pelos arredores da lenheira. Teria encontrado várias reses esquartejadas. Só restaram as cabeças.
Alguns homens do grupo ficaram preocupados, principalmente Xoxó e Luiz de Romão. Tanto que ficaram a tarde toda encoivarando garranchos e improvisando fogueiras para espantar a suposta fera. E olhe que os dois eram inimigos jurados. Esqueceram a rixa e, em dois tempos, estavam cúmplices contra o perigo iminente. Outros não deram importância à notícia. Onça por essas bandas? Isso é conversa pra boi dormir.
Durante três noites o rancho esteve sob proteção de intenso fogaréu.
Na madrugada seguinte, quando todos dormiam, dois rapazes da turma, que não botaram muita fé nas palavras do capataz, prepararam, em surdina, uma presepada para amedrontar ainda mais os colegas. Com os dedos unidos em forma de pata eles imprimiram dezenas de marcas no chão, pelas imediações de onde queimaram as fogueiras, arremedando as pegadas do feroz animal. Em seguida chamaram os outros para atestar que o bicho havia rondado o lugar.
O alvoroço dos homens foi imediato. Se não fosse o fogo, dizia Xoxó, num tinha mais ninguém vivo. Começaram a ajuntar os troços para darem no pé. Os meninos confessaram, em gargalhadas, o ato astucioso. Fomos nós que fizemos os rastros! Ninguém acreditou. Suspenderam o trabalho e foram para a casa da fazenda esperar o caminhão da lenha, que viria naquele mesmo dia.
Perto do meio dia, o caminhão chegou.  O motorista, que também era o comprador da lenha, estranhou ver todos na sede da fazenda. Os homens lhe contaram o que houve. A par do acontecido, ele tentou desvanecê-los da idéia de irem embora. Conseguiu. A duras penas. Em seguida foi ver os rastros. Dava pra ver que se divertia com a história. Prometeu trazer alguém que entendesse do assunto. No sertão há especialistas pra tudo no mundo: curandeiro, benzedeiro, rezador especializado em coriza, arroto choco, bucho inchado e outras mazelas.
O homem que ele trouxe no dia seguinte, por exemplo, era perito em rastrear animais. Muito bom, sabe o tipo de cobra pelo modo como ela se arrasta, garantiu. O rastreador experimentado agachou-se junto aos arremedos das pegadas felinas, observado pelo grupo de lenheiros apreensivos. Analisou uma aqui, outra mais detidamente ali, farejou o solo, ao modo dos cães, ergueu-se sisudo e proferiu a sentença:
__ É uma onçinha vermelha! Tadinha, a bichinha tá mancando de uma mão!




                                                                                                  Zenóbio Oliveira





Palco Nordestino


Todo domingo, das 6:00 às 9:00 da manhã
na RádioUniversitária FM 103,3.

Hoje é dia de acordar bem cedo,
Porque é domingo, e domingo é dia,
Dia de festa, dia de alegria,
Dia de bermuda, dia de brinquedo,

Dia de praia, dia de açude,
Dia de cantar, dia de sol,
Dia de assistir o futebol,
Dia de curtir a juventude,

Dia do velho, dia do menino,
Dia de cantiga e poesia,
Hoje é domingo e domingo é dia,
Dia de Palco Nordestino.