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terça-feira, 31 de março de 2015

Ponto de vista

Racismo no Brasil
Zenóbio Oliveira

O racismo sempre foi um assunto polêmico e permanece ainda veemente nos debates de nossa sociedade hoje em dia. Levando em consideração o preconceito e a democracia raciais como pressupostos desse tema podemos aprofundar a discussão que o envolve. Antes, porem, é preciso compreender alguns acontecimentos que marcaram a história da formação do povo brasileiro.
O nosso povo teve sua formação fundamentada em três bases étnicas continentais: Uma europeia especificada nos portugueses colonizadores, os brancos, outra africana formada pelos negros trazidos como mão de obra escrava e a dos índios nativos o nosso território. O processo formativo se deu por entrechoques classistas, raciais e Inter étnicos principalmente, que envolveram esses três contingentes – índios, brancos e negros – de forma altamente conflituosa. Todos esses conflitos, que se configuraram como força motora da história e da organização social brasileiras culminaram na supremacia dos brancos e consequentemente na subjugação de índios e negros.
O intenso contato étnico entre essas três matrizes originais possibilitou a aculturação e os cruzamentos inter-raciais. Uma espécie de caldeamento que misturou índios, negros e brancos, desde o período da colonização, e que resultou numa miscigenação da cultura brasileira. Podemos apontar como resultado desses cruzamentos inter-raciais o caboclo, mistura do branco com o índio, o mulato, mistura do branco com o negro, o cafuzo, do negro com o índio e o mestiço, como resultado descendente desses cruzamentos. A partir daí, dessa mistura de etnias, é que surgiu a ideia de que o mestiço, produto final desse caldeamento, fosse o elemento constitutivo da identidade nacional brasileira.
Essa miscigenação garantiria naturalmente uma unidade para nossa raça, que, composta por mestiços, teria necessariamente igualdade social e jurídica, a chamada democracia racial, consolidada no Brasil, na década de 1930.
Mas a coisa não é bem assim.
E aqui torno-me concordante com o pensamento do sociólogo Ronaldo Sales, da Fundação Joaquim Nabuco, quando este diz que a miscigenação não conduz à democracia racial porque, na prática, não cria uma categoria homogênea de mestiços, mas, sim, uma hierarquia de subcategorias pela qual quanto mais perto um indivíduo estiver da "matriz branca", maiores são suas chances de inclusão social.
Em verdade, o mito da democracia racial foi construído sobre uma integração subordinada, de maneira progressiva pela abolição da escravatura, pela proclamação da república e pela revolução de 30, como forma de calar os movimentos de luta negros. Atualmente este mito se manifesta nas formas de tratamento – não é negro, nem é preto, é afrodescendente. Nossa sociedade foi conduzida ao regime de cordialidade racial, o chamado regime assimilacionista, em que o negro vai perdendo sua identidade, já que sua negritude se dilui na branquização gradativa.
A discriminação racial saiu do geral para o particular. O racismo passou a ser entendido como preconceito isolado. Mas basta que um negro ascenda à classe social superior, como o novo emergente, o preconceito até então latente se manifesta e logo se diz: __ ele não é um de nós!
O negro foi estigmatizado pelo estereótipo racial. Se for negro é pobre ou marginal. E quando ele sobrepuja essa construção social perniciosa e se destaca num campo de ação historicamente pertencente ao homem branco, fatalmente vai ser classificado como “o negrinho que se deu bem na vida”.   E aí eu volto ao Ronaldo Sales, quando este afirma que “o estereótipo define, assim, um conjunto de expectativas socialmente estabelecidas e que visam à definição de situações cotidianas. É o que ele chama de demarcação racial. Isso faz parte de uma competência social. Essa demarcação até pode ser corrigida, no entanto a correção que se é feita em relação às pessoas negras, aponta para uma quebra de expectativa individual, classificando o negro que transpõe o estereótipo como uma exceção: Negro que venceu, negro bem sucedido... são os negros de alma branca. Para ele, “o conceito de miscigenação no Brasil é usado para validar o mito da democracia racial, tirando dos movimentos negros os argumentos para denunciar o racismo. Mais do que isso: em uma sociedade em que, em tese, não existe raça, racistas são aqueles que falam do racismo”.
A democracia racial até seria possível, mas como bem avalia Darcy Ribeiro, “só ocorrerá quando houver democracia social”. Ou há democracia para todos ou não há para ninguém.
Não é possível haver igualdade perante uma classificação cultural capaz de hierarquizar as raças em superiores e inferiores. Se fosse compreendida apenas pelo seu conceito científico teríamos uma postura democrática verdadeira, porque a ciência define raça como espécie, categoria, sem, contudo, atribuir-lhe distinções biológicas e/ou morfológicas. Raça nada mais é do que a condição humana.. Mas em nossa sociedade, infelizmente para negros, índios, pobres, homossexuais, os valores da nossa cultura não traduzem integralmente as ideias da nossa ciência.

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segunda-feira, 21 de março de 2011

Poeta Luiz Campos

O poeta e violeiro Luiz Campos pediu a um caçador amigo, um quilo de carne de veado e recebeu a negativa do mesmo, que justificou o não com a história de que já havia prometido tudo a um outro amigo, empresário.
Passados alguns dias, Luiz cantava num bar, na Lagoa do Mato, quando o homem, o dito caçador o interpelou pedindo um mote. Luiz então aproveitou a ocasião e cantou:

Nada dou de valor ao caçador,
Que de amizade leal não tem um tico,
Só bajula um sujeito quando é rico,
E esquece o poeta cantador,
Pois matou um veado corredor,
E um quilo da carne não me deu,
Quando acaba diz que é amigo meu,
Mas é corno, é sacana e é safado,
É veado que mata outro veado,
e vai dar prum veado amigo seu.

sábado, 5 de março de 2011

JOGRAL

Por Zenóbio Oliveira


Tema - Carnaval

Entra a música “Máscara Negra” – roda 20 segundos e vai a BG.

Loc. 1

Eh carnaval compade! Que saudade!
Inda se atreve a ir no frevo?

Loc. 2

Se me atrevo? Ora mais!
Frevo, marchinha!

Loc. 3 - Contraponto

Mas rapaz! Hoje é dança da bundinha!

Loc. 4

É o creu!

Loc. 1

Meu Deus do céu!
Beleléu!

Loc. 2 - Saudosismo

Carnaval, o que foi... o que é...

Loc. 3

É Funk, é Axé,
Timbalada!

Loc. 1

Nada! É uma praga!

Loc. 4

Praga?

Loc. 2

Cadê Chiquinha Gonzaga?

Loc. 1

E capiba? E Zé Ketti?

Loc. 3

Ei coroa, hoje é Chiclete!

Loc. 4

Cláudia leite! Margarete!

Loc. 3

É Ivete!
Poeira, poeira...

Loc. 2

Você ta de brincadeira!

Loc. 1

Pra quem teve jardineira!
Enh compade – (só sussurro incompreensível)

Loc. 3

Isso é museu!
Hoje é Bonde do Tigrão!

Loc. 2

Presta mais não!

Loc. 4

Num presta?

É festa!

Loc. 3

E então?

Eu quero é pular, brincar, sambar...

Sobe som da música – “Eu quero é botar meu bloco na rua”...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O ontem e hoje na música brasileira

ONTEM



Rostos na multidão,
E uma luz escapou, esbarrou em você,
Magia do amor pôs meus olhos nos seus,
E o segredo ficou só nosso...

(Kiko e Ricardo Feghali)


HOJE

Foi assim,que eu te conheci
Olha que foi no risca faca que te conheci,
Dançando,enchendo a cara
Fazendo farra to nem ai

(Biguá e Pepe Moreno)

ONTEM

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés.

(Cartola)

HOJE
Sua mocinha me responda! Isso é hora de chegar?
Aii painho estava com meu namorado a passear
Depois quando aparecer por aí
Não venha trazer seu piu piu pra discascar
Oxente painho que vos é essa?
To ficando com medo e vou chorar
Vc pode ficar com o seu drama, mais não vou acreditar
Vá já pro quarto está de castigo!
E não vá sair de lá
Não,NãoNão
Não,NãoNão
Ta vendo aquele shoppingg Center moça
Vc tão cedo entra lá
Sabe a festa q vau ter no fim de semana
Você não vai botar seus pezinhos lá
E o descaradinho do seu namorado
Deixe comigo que o dedo eu vou dar
Eu vou dar umas tabefes naquela cara descarada
Mais vai ser tanta, que ele vai gritar
Aii meu Deus
Não,Não,Não
Não,Não,Não
Aii meu paai, eu quero saiir,
Não e não final de conversa
É melhor parar, se não um lobizomem eu vou virar
Eu quero ver meu namorado!
Não,NãoNão, Não,NãoNão
Pior que não,vou deixar não
Vaaii meu paii
Não e não calabooca
Paiim
Não
Cala essa boca dexa eu terminar a música!
Seeu ruuim

(Bonde do Maluco)

ONTEM

Vou te caçar na cama sem segredos
E saciar a sede do desejo
Deixar o teu cabelo em desalinho
E me afogar de vez em teu carinho
Quero ficar assim por toda a noite
A copiar teus traços lentamente
Deixar pousar meu beijo no teu corpo
Deixar que o amor se faça mansamente
Vem ficar comigo no abandono desse abraço
E adormeça no meu peito o teu cansaço
Que é tão difícil um momento prá nos dois
Vem e traz contigo essa paz tão esperada
Faz dessa noite uma eterna madrugada
E só desperte quando a vida adormecer.

(Joanna e sarah Benchimol)

HOJE
Vem prá cá
Que eu sou tigrão
Vou te dar
Muita pressão
Quando vejo um popozão
Rebolando no salão...
Não consigo respirar
Fico louco prá pegar
Melhor tu se preparar
Que o tigrão
Vai te ensinar...
Vai a onde tu fugir
Que o tigrão
Vai te engulir
Se tu corre por aqui
Eu te pego logo alí...
Eu vou lutar até o fim
Vou trazer você pra mim
E eu te chamo bem assim...
Só as cachorras
As preparadas
As popozudas
O baile todo.

(Bonde do Tigrão)

ONTEM

Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça,
É ela menina, que vem e que passa,
Num doce balanço, a caminho do mar.

(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

HOJE

Bota a mão no joelho
E da uma baixadinha
Vai mexendo gostoso,
Balancando a bundinha

(É o Tchan)

ONTEM

Um facho de luz
Que a tudo seduz por aqui
Estrela cadente reluzentemente
Sem fim
E um cheiro de amor
Empestado no ar a me entorpecer
Quisera viesse do mar e não de você
Um raio que inunda de brilho
Uma noite perdida
Um estado de coisas tão puras
Que movem uma vida
E um verde profundo no olhar
A me endoidecer
Quisera estivesse no mar e não em você...

(Djavan)

HOJE

Pense numa mina linda, a danada enlouqueceu
A macharada lá na festa quando ela apareceu
Um sorriso envolvente um jeitinho sensual
Pra acabar de completar muito mole no final
Juro não acreditava no q estava acontecendo
Ela sorria e me olhava e o clima foi crescendo
Fui direto ao assunto e não pude acreditar
Ela falou no meu ouvido e começou a falar
vaiiiii, dá tapinha na bundinhaaa, vaiiiii
Que eu sou sua cachorrinha, vaiiiiiiii
fico muito assanhada, seu eu pedir você me dá
Lapada na rachada...

(Aviões do Forró)

Mas, me chamam de NEÓFOBO!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Folclo-rindo

Vitor, lá do sitio Aguilhadas, era um cego desses que não conhecem dinheiro, nem pelo valor de mais, nem pelo de menos. Ele, como todos os moradores do lugar, plantava cebola na vazante do rio. Com a ajuda dos sobrinhos plantou uma dezena de canteiros, colheu, limpou e amarrou mais de cem molhos. Na época de vender o produto, chegou um comprador na casa de Vitor, Seu Manoel Bacatela, homem de confiança, pela honestidade e, principalmente, pela proximidade que tinha com a família de Vitor.


__Bom dia Vitor!

__Ôpa! Bom dia!

__A cebola é pra vender?

__ É, Sim senhor!

__ Quanto é? Perguntou Manoel?

__ É setenta!

Manoel viu que o preço pedido por Vitor estava abaixo do que vinha sendo praticado e disse:

__ Vamos fazer o seguinte Vitor, eu vou lhe dar cem contos pela cebola! Tá bom assim?

E o cego respondeu:

__Não senhor! Por meno de setenta daqui ela num sai pra canto nenhum!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Liberdade

Cecília Meireles



Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos, por ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade! "; nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre/ ou morrer pelo Brasil!"; nossos pais pediam: "Liberdade! Liberdade!/ abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/ brilhou no céu da Pátria..." em certo instante.

Somos, pois, criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre como diria o famoso conselheiro... é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Suponho que seja isso.)

Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir (As vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...)

Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento! ...

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos! ...

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel...

Texto extraído do livro "Escolha o seu sonho", Editora Record Rio de Janeiro, 2002, pág. 07.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Poesia

DESPERDÍCIOS
Zenóbio Oliveira



Foram-se os momentos mais bonitos,
De um amor que nem criou raízes,
E que deixou muitas cicatrizes,
Num coração que hoje lança gritos.

Foram-se todas as palavras puras,
Que, amiúde, falaste ao meu ouvido.
E hoje sem tua voz estou perdido,
Num imenso deserto de amarguras.


Foram-se todos os carinhos,
Muitas vezes trocados em nosso leito,
E hoje essa dor me espeta o peito,
Como fortes rosetas de espinhos.


Foram-se as noites coloridas,
Que passamos em beijos e abraços,
E hoje longe dos teus braços,
Não existe mais beleza em minha vida.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Crônica

 A tecnologia a serviço do homem
                          Zenóbio Oliveira

          Estamos na era da modernidade. Época dos avanços tecnológicos, responsáveis pela queda das fronteiras econômicas e sociais do mundo, agora globalizado. No setor das comunicações, por exemplo, essas evoluções foram magníficas: satélite, televisão digital, rádio digital, internet, fibra ótica, GPS, ipod e  o escambau. Para se ter uma idéia desse progresso, basta que façamos a comparação: a notícia do assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, há quarenta e sete anos, levou treze dias para chegar à Europa, enquanto que o primeiro tiro do exército americano no Iraque, de Sadan Hussaim, não demorou treze segundos para ser sabido em todos os continentes. Isso sem contar que o rebolo de dois aviões nas torres do Word Trade Center feito, em 2001, pela patota de Osama Bin Laden, foi transmitido ao vivo e a cores para todos os quadrantes do planeta.
          No meio desse contexto digital, de toda essa virtualização desenfreada fico meio perdido. Mas também, nos tempos da minha infância, remota, lá nos confins de um cafundó sertanejo, a comunicação era feita através do bom e velho recado. Quando queríamos que uma informação fosse levada a um parente mais distante, escrevíamos uma carta - vovô chamava de missiva - ou por outra recorríamos à Rádio Rural de Mossoró e a notícia ganhava o mundo na voz rouca de Seu Mané da Coalhada, pelo programa "Notas e "Avisos".
__ Aviso para o Sítio picadinha, Gov. Dix-Sept. Abílio, sua filha Noca avisa que já está em Mossoró e que deixou a chave de casa debaixo do pilão, assina Noca.
Era batata. pois toda casa do sertão, praticamente, tinha um rádio ABC, A voz de ouro.
          Pois bem, voltando ao assunto em questão, considero o computador o grande responsável por essa unificação de fronteiras, o divisor de águas entre o antigo e o novo no mundo das comunicações, se analisarmos somente esse viés. É ele o maior causador dessa alavancagem da comunicação, mas, de outros setores também, tanto econômicos, quanto sociais, como é o caso, por exemplo, da comercialização de produtos pela internet. E são significativos os benefícios para quem pode contar com uma máquina dessas. Comparando as potencialidades de conhecimento e a facilidade de acesso a produtos e serviços entre os que dispõem e os que não dispõem dessa tecnologia, evidenciamos uma enorme diferença, de avião pra carroça.
          O interessante é que, dispondo uma vez dessa parafernália, você se torna dependente. Sorte, então, de quem contar com um equipamento de ponta, porque longe disso, amigo, você vai está encrencado. Tiro por mim. Tentei realizar uma pesquisa de preços na grande rede. Sentei diante de um computador já bastante velho e, claro, muito ultrapassado, fruto de doação. Um modelo submetido a várias reciclagens operacionais e a gambiarras de acessórios, ou seja, um modelo obsoleto, ressuscitado de algum lixo eletrônico. O gabinete não tinha nem mais a cor original, o processador lento demais, o disco rígido pequeno e muito pouca memória RAM, como diria um amigo, não tem memória, mas uma vaga lembrança.
          O bicho demorou mais de quinze minutos só para abrir a área de trabalho, uns oito para se conectar à rede e outros dez para abrir o site de navegação. Juntando minha lerdeza com a da máquina, foram mais quarenta minutos pra encontrar o produto que, pelo menos estava em promoção, com vinte por cento de desconto. O problema é que quando eu cliquei na opção a tela ficou branca. Esperei um tempo. Nada. Com um bom pedaço apareceu escrito no canto inferior esquerdo da tela:  "fazendo download da imagem". De repente, sem quê nem mais a praga travou. Aquela setinha do mouse, rato em nosso dialeto, nem se bulia. Pra completar apareceu uma caixa de texto com a mensagem: "o programa não está respondendo, precisa ser fechado". Fiquei com a molesta, quem já viu? Seiscentos diabos, arte do cão. Repeti a operação algumas vezes, mas não obtive sucesso.
          O resultado de tudo isso foi que perdi a promoção e a paciência. Depois pra comprar o que eu queria, tive que recorrer aos préstimos de um vendedor de crediário que todo sábado rodava pela comunidade, numa Belina Del Rei, mil novecentos e começo do mundo, equipada com uma boca de ferro, alardeando aos quatro ventos a qualidade dos seus produtos e serviços. Tudo para não abrir mão de encomendar a mercadoria no conforto do meu lar. O ruim foi que o objeto, de extrema necessidade, ficou pelo dobro do preço lá da loja online, porem, com a consolação de ser dividido em vinte e oito suaves prestações, sem entrada e com quarente e cinco dias para dar a primeira. Então, compra realizada com sucesso e, em vez de número de pedido, protocolo de venda, IP de identificação e essa coisa toda, apenas um ZEARNOB OLIVERA na caderneta de fiados de "Seu Quincas da Belina".

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Folclo-rindo

TÁ ESCRITO!
Por Fabiano Régis


Ao sair de um desses restaurantes que vende comida no peso os chamados “self service”, “Chico de Adolfo” um grande amigo de infância, fez o seguinte comentário:
__ ”Está na bíblia sagrada que quando o mundo estiver perto do fim, até a comida do homem será pesada!”
A minha filha que é uma leitora assídua da bíblia disse:
__”Chico eu leio quase que diariamente a bíblia, e nunca vi isso!”
Chico perguntou:
__“escute aqui menina, você já leu a bíblia toda?”.