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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Soneto

Preciso...
Zenóbio Oliveira.

Preciso que esse tempo logo passe,
Depressa que nem chuva de verão,
Pra que a saudade desse desenlace,
Não me atormente mais o coração

Preciso me esquecer de tua face,
Não lembrar teu sorriso de ilusão,
Pra que meu sonho enfim se desabrace,
Desse romance de alucinação.

Preciso que esse tempo tenha pressa,
De levar tua imagem de promessa,
Aos rincões mais remotos da lembrança,

Pra que nasça pra além dessa saudade,
Uma semente de felicidade,
Pelos canteiros de outra esperança.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

SONETO

VOLTANDO
Zenóbio Oliveira

Estou voltando, a alma sossegada,
Bem mais que quando me lancei na vida,
O afã no peito na hora da partida,
Torna-se a tempo remanso na chegada.

Foi espinhoso o curso da jornada?
Que prêmio há na escassez da lida?
Não é a sorte a prenda merecida,
Mas o intuito da coisa pelejada.

Pela estrada onde segui errante,
Vivi intensamente cada instante,
Qual fosse de alegria, ou dissabores,

E se a vida me deixou pelos caminhos,
Um imenso rosário de espinhos,
Também me emprestou algumas flores.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Mal Tirano.


Por Zenóbio Oliveira

As palavras que se geram em ventre insano,
Das mentes podres e irracionais,
Ganham vida nas bocas imorais,
E perpetuam-se de vez. (Oh mal tirano).

Alimentadas pelo próprio engano,
Agigantam-se em formas colossais,
E tornam-se verdades marginais,
À custa, sempre, do alheio dano.

Neste dia também me torno vítima,
Da palavra suja e ilegítima,
Do discurso ímprobo, da sandice,

Procurando no livro da razão,
O silogismo da minha alegação,
Pra poder desmentir o que não disse.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poesia pura

Reproduzo aqui soneto do Dr. José Hugo de Oliveira,
sertanejo, como eu, que alem de poeta é advogado competente.
Zé Hugo é Dix-Septiense da gema e neste belo soneto faz homenagem a Gov. Dix-Sept Rosado, cidade do sertão potiguar, que neste 4 de abril completa 48 anos de emancipação política.


Meu sertão


Eu vim, seu moço, do sertão faz muitos anos,
Mas seus meandros eu conheço muito bem.
E se não sabes, vou dizer - eu tenho planos,
De na velhice retornar pra lá também.

Lá como aqui tem ilusão, tem desenganos,
Desesperança, amor e ódio eu sei que tem,
Ninguém mais há que esteja, pois, imune aos danos
Da violência que viceja e faz refém...

Mas lá se vê muita cabocla na calçada
- Despida a noite e de mistérios rabiscada -
Sorvendo à lua o seu encanto e sutileza.

O meu sertão, seu moço, tem o doce extrato
Da flor que o campo ornando faz vista e retrato
Essa porção que mais ilustra a natureza.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Notícias da guerra

Por Zenóbio Oliveira


Vejo em destaque no alto do seu pódio,
O nefando líder da fatídica gangue,
A ordenar o trágico bangue-bangue,
Num cântico mortal de som pouco melódio.

E uma voz solene narra o episódio,
E a imagem passeia entre poças de sangue,
Esbarrando, em close, nalgum rosto exangue,
Que ainda exibe última expressão de ódio.

É a televisão do século vinte e um,
Mostrando assim, da forma mais comum,
A guerra insana em nome do poder,

E a paz gerada no ventre dos meus sonhos,
Foi atacada por vírus tão medonhos,
Que pereceu bem antes de nascer.

P.S - Sangue por petróleo

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mal Tirano.

Por Zenóbio Oliveira


As palavras que se geram em ventre insano,
Das mentes podres e irracionais,
Ganham vida nas bocas imorais,
E perpetuam-se de vez. (Oh mal tirano).

Alimentadas pelo próprio engano,
Agigantam-se em formas colossais,
E tornam-se verdades surreais,
À custa, sempre, do alheio dano.

E hoje também me torno vítima,
Da palavra suja e ilegítima,
Do discurso ímprobo, da sandice,

Procurando no livro da razão,
O silogismo da minha alegação,
Pra poder desdizer o que eu não disse.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Poesia

Triste.

Vago sem rumo pelas noites frias,
Absorto, penetro à solidão das ruas,
Na alma, o peso das lembranças suas,
No peito um fardo de melancolias.

Latejam, em meu ser, feridas nuas,
De tristezas, de mágoas, de agonias...
Arquejam minhas últimas alegrias,
No desconforto dessas dores cruas.

Na solidão tumular que me devora,
Sinto que o meu sonho estertora,
No leito tosco da infelicidade,

Sobre o lajedo dessas ruas ermas,
Deixo ficar as ilusões enfermas,
Para o socorro d’alguma piedade.

Zenóbio Oliveira

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poesia

Desejos de poeta
                           
Quero só um bêmio como amigo,
Uma flor, o luar, uma calçada,
E um poeta na minha madrugada
Pra cantar a canção que não consigo.
                        

Uma simples mulher beba comigo,
Totalmente de amor necessitada,
Eu conduza no drinque ou na tragada
Minha última esperança pra o jazigo.

                           
Quero, sim, um boteco na cidade,
Pra que eu possa esconder minha saudade
Colocando no copo a minha dor.

                          
E o meu corpo ao perder toda a estrutura,
Alguém bote na minha sepultura
"Aqui jaz um cativo do amor".
                                           

                                  Jomaci Dantas