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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Soneto

Preciso...
Zenóbio Oliveira.

Preciso que esse tempo logo passe,
Depressa que nem chuva de verão,
Pra que a saudade desse desenlace,
Não me atormente mais o coração

Preciso me esquecer de tua face,
Não lembrar teu sorriso de ilusão,
Pra que meu sonho enfim se desabrace,
Desse romance de alucinação.

Preciso que esse tempo tenha pressa,
De levar tua imagem de promessa,
Aos rincões mais remotos da lembrança,

Pra que nasça pra além dessa saudade,
Uma semente de felicidade,
Pelos canteiros de outra esperança.

sábado, 20 de agosto de 2011

Rimando


D. Maria, por favor, me atenda,
Quero um par de sapatos Bonivanti,
O cinto da fivela mais brilhante,
Que a senhora tiver na sua venda,
Vou querer um corte de fazenda,
Pra fazer uma camisa esporte fino,
Uma calça de tergal boca de sino,
Com nesgas do lado de outra cor,
Pois sábado vou levar o meu amor,
No forró da capela de Paulino.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poesia pura

Reproduzo aqui soneto do Dr. José Hugo de Oliveira,
sertanejo, como eu, que alem de poeta é advogado competente.
Zé Hugo é Dix-Septiense da gema e neste belo soneto faz homenagem a Gov. Dix-Sept Rosado, cidade do sertão potiguar, que neste 4 de abril completa 48 anos de emancipação política.


Meu sertão


Eu vim, seu moço, do sertão faz muitos anos,
Mas seus meandros eu conheço muito bem.
E se não sabes, vou dizer - eu tenho planos,
De na velhice retornar pra lá também.

Lá como aqui tem ilusão, tem desenganos,
Desesperança, amor e ódio eu sei que tem,
Ninguém mais há que esteja, pois, imune aos danos
Da violência que viceja e faz refém...

Mas lá se vê muita cabocla na calçada
- Despida a noite e de mistérios rabiscada -
Sorvendo à lua o seu encanto e sutileza.

O meu sertão, seu moço, tem o doce extrato
Da flor que o campo ornando faz vista e retrato
Essa porção que mais ilustra a natureza.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Notícias da guerra

Por Zenóbio Oliveira


Vejo em destaque no alto do seu pódio,
O nefando líder da fatídica gangue,
A ordenar o trágico bangue-bangue,
Num cântico mortal de som pouco melódio.

E uma voz solene narra o episódio,
E a imagem passeia entre poças de sangue,
Esbarrando, em close, nalgum rosto exangue,
Que ainda exibe última expressão de ódio.

É a televisão do século vinte e um,
Mostrando assim, da forma mais comum,
A guerra insana em nome do poder,

E a paz gerada no ventre dos meus sonhos,
Foi atacada por vírus tão medonhos,
Que pereceu bem antes de nascer.

P.S - Sangue por petróleo

domingo, 6 de março de 2011

Cultura

Por Zenóbio Oliveira

A cultura de um povo é um legado,
De valores, conceitos, tradições,
A herança de antigas gerações,
Deixada como um bem sacramentado,
É o alicerce firme do passado,
Como base da peculiaridade,
Que serve de sustentabilidade,
Às paredes construídas no presente,
Aonde se vai fincar futuramente,
O patrimônio da sua identidade.

Distinguem-se os grupos culturais,
Por padrões de costumes e de crenças,
Respeitando também as diferenças,
Dos seus valores étnicos e morais,
Dos seus preceitos espirituais,
E dos valores, por eles, arraigados,
São princípios que os antepassados,
Deixaram ao seu povo em memória,
Pra que a cultura mantenha sua história,
Face aos modismos vãos, globalizados.

terça-feira, 1 de março de 2011

Contradições.

Por Zenóbio Oliveira

Disseram-me um dia que o amor,
Seria a causa dos meus sacrifícios,
Das renúncias que me causam dor,
E das entregas que se tornam vícios.

Disseram-me, também, que os meus suplícios,
São meus caminhos pra o jardim em flor,
E que são todos os meus benefícios,
As conseqüências do meu dissabor.

Mas não pude seguir esses caminhos,
Simplesmente por não poder acreditar,
Que é preciso andar sobre os espinhos,

Para ao jardim em flor poder chegar,
E sem renúncias meus atos são mesquinhos,
Talvez porque nunca aprendi a amar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Almas Gêmeas.


         
 Por Zenóbio Oliveira


Ouvi dizer que pra encontrar a fêmea
Que possa vir a ser sua alma gêmea
Pode custar uma eternidade
Mas que é preciso encontrá-la, um dia,
Pois sua vida só terá magia
Se for ao lado da cara-metade.

Sinceramente eu acho uma bobagem
Mesmo sabendo que as pessoas agem
De certa forma obedecendo a crenças
Do meu lado vou amando em várias formas
Pois acredito que o amor não segue normas
Nem de igualdades, nem de diferenças.

O amor quando acontece é espontâneo
E pode ser eterno ou momentâneo
Que mesmo assim nos dará felicidade
E tanto faz ser Maria, Joana, Rita...
E tanto faz ser feia, ser bonita...
Presentemente nos será cara-metade.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Aguilhadas

Por Zenóbio Oliveira

Nasci do teu ventre de mãe generosa,
Vivi na beleza de tuas paisagens,
Na liberdade ímpar de tuas aragens,
Os tempos gentis da infância gloriosa

Afastei-me de ti minha terra formosa,
Trilhando caminhos abruptos, selvagens,
Lancei-me ao destino de outras paragens,
Na busca constante da vida cor-de-rosa.

Hoje me encontro à luz dessa quimera,
Fomentando, ainda, a ilusão da espera,
Que a boa ventura me prenda em seus laços,

Mas, quando em mim, afugentar-se o devaneio,
Vou descansar no conforto do teu seio,
E adormecer no embalo dos teus braços.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Arquivo morto.

Por Zenóbio Oliveira

Meu coração é um livro de memórias,
Um calhamaço de amores vagos,
Composto de capítulos aziagos,
De esperanças frustradas e inglórias.

Um caderno de páginas irrisórias,
Em que o destino, de poucos afagos,
Escreve, inexorável, os estragos,
Causados por paixões contraditórias.

Uma obra que guarda em seus volumes,
Fascículos de mágoas e ciúmes,
Tomos de desgosto e de despeito,

Um romance de dores e ressábios,
Esquecido em velhos alfarrábios,
Nos baús antigos do meu peito.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

INVERNO

Por Zenóbio Oliveira

Quando a chuva promissora de janeiro
Derrama suas águas sobre o chão
Enche de fé o coração roceiro
Pinta de verde as faces do sertão

O sertanejo sai logo pra o terreiro
No rude olhar, toda a fascinação.
Ao notar o cenário alvissareiro
A cobrir de esperanças seu rincão

E com desvelo, lavra a terra e abre as covas.
Sepulta os grãos, espera as plantas novas.
Deflorarem a terra virginal

E da janela de sua humilde choça
Feliz avista o verde pela roça
Derramando a beleza em seu quintal

sábado, 13 de novembro de 2010

Soneto

O grilo
Zenóbio Oliveira

Caí de corpo na rede, estropiado,
Em busca do repouso mais tranqüilo,
Mas ao primeiro esboço de cochilo,
Sobressaltei-me ao ruído estridulado.

Levantei-me ainda atordoado,
Procurando a origem do sibilo,
Descobri tão logo que era um grilo,
No reboco da parede camuflado.

Aí dei de garra de um cavaco,
E cutuquei buraco por buraco,
No afã de abafar tão rude trilo,

Mas neca de sucesso em meu intento,
E para resumir meu sofrimento,
Perdi o sono e não achei o grilo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Poesia

Tenho saudades do meu lugar, Aguilhadas, e aí fecho os olhos e vivo das lembranças...


Manhãs de Aguilhadas


Desperto lentamente do meu sono de menino,
Meus olhos modorros apertam-se à luz dilucular,
Vibra em meu tímpano o sonoroso e doce trino,
De um gurinhatã que também veio saudar,
A beleza do crepúsculo matutino,
Sem-par...

Espicho o olhar na direção do rio nevoento,
A água mansa e serena parece estar dormindo,
Alheia ao flutuar do nimbo pardacento,
Que foge ligeiro à luz que vem surgindo,
Em borrifos que logo se dissipam ao vento,
É lindo...

Um raio, incontinênti, golpeia-me a retina,
O Lampejo me desperta dos sonhos infantis,
Para que eu veja o sol abraçar a campina,
Emprestando ao sertão o diverso matiz,
Que o meu olhar de êxtase descortina,
Feliz...

Rolam pelos limbos das folhas de milho,
Derradeiras gotículas do orvalho recente,
Refletindo, à luz da manhã, o alheio brilho,
Como fosse constelação tremeluzente,
No verde céu do milharal lustrilho,
Simplesmente...

A brisa setembrina lança-me ao olfato,
O hálito primaveril da recente florada,
Que impregna a manhã de um cheiro bom de mato,
Não sei de fragrância mais adocicada,
Nada se compara a este aroma grato,
Nada...

Fagueiras manhãs dos meus tempos de criança,
Onde habitou minha gentil felicidade,
Berço do meu sonho, da minha esperança,
Que a vida iníqua me levou com a idade,
Ainda as vejo no espelho da lembrança,
E na saudade.

Zenóbio Oliveira